Quando falo que sou Psicanalista todo mundo me pergunta qual a diferença para Psicóloga e Psiquiatra. Então esse breve texto vem para esclarecer as diferenças e orientar qual o especialista mais adequado para cada questão.
Primeiramente é importante frisar que um psicanalista, um psicólogo e um psiquiatra são profissionais que não somente ajudam as pessoas a se sentirem melhores quando estão com problemas emocionais ou mentais mas também as apoiam e facilitam processos: seja de mudança de vida (trabalho, chegada de um bebê, mudança de casa, novos estudos), como o entendimento sobre si e seus comportamentos e tratamentos medicamentosos de maior duração. Basicamente o que difere cada categoria é a forma de tratamento e a formação.
💊 Psiquiatra – é um médico que entende muito sobre o cérebro e seu funcionamento e que portanto se especializou em doenças mentais. Ele tem conhecimento sobre neurologia, fisiologia, farmacologia e é o único que pode prescrever medicação. Basicamente ele trata o corpo físico, o cérebro e sua química e não a mente e seus processos psíquicos e intangíveis.
👥 Psicólogo – é um profissional que trabalha com a intervenção psicológica por meio da orientação, diálogo e aconselhamento. Ao longo da faculdade, cuja duração é em torno de 5 anos, ele estuda o comportamento humano, faz análises por meio da observação e também interage com o paciente para tentar diagnosticar, prevenir e tratar doenças relacionadas ao sistema emocional – mental. Ele pode adotar diversas abordagens e tratamentos de acordo com a linha que segue. Ele, assim como o psicanalista, não pode prescrever medicações.
🗨 Psicanalista – é um profissional que lida com as questões inconscientes do indivíduo, buscando nelas a causa-raiz dos conflitos emocionais atuais consequentes desse histórico. Ele utiliza a técnica da livre associação, na qual o paciente fala livremente sobre seus pensamentos e sentimentos e através de associações (símbolos, palavras, esquecimentos, comportamentos padrão, etc) buscam encontrar a origem do que se chama “sintoma”.
A Psicanálise é uma vertente da Psicologia, como se fosse uma especialização. Para ser um Psicanalista é possível seguir por dois caminhos: especialização dentro de um curso de Psicologia ou ter uma formação em outra faculdade e depois fazer um curso livre em formação psicanalítica. Este último dura de 3 a 3,5 anos dependendo da Escola onde é feito. Seu conhecimento é baseado principalmente nos ensinamentos de Freud (mas pode seguir por outras linhas de abordagem, como Lacan e Jung, que foram seus sucessores mais famosos) e a conduta do tratamento é escuta das falas dos pacientes, interpretação dos sonhos e dos sintomas físicos, avaliação dos mecanismos de defesa, etc… O psicanalista é como se fosse um arqueólogo que vai “escavar” lenta e delicadamente as memórias e palavras do paciente, até encontrar a causa do problema. Assim que a causa é acessada ou que o momento traumático é vivenciado , é como se os problemas e questões começassem a se dissolver e o paciente adquirisse uma nova consciência e visão sobre as coisas.
Se alguém me pergunta: “Qual profissional você me recomenda?“, digo que não existe uma resposta correta. Tudo depende das necessidades individuais de cada um, do tipo de problema emocional ou mental que a pessoa está enfrentando e de suas preferências pessoais: às vezes a medicação é necessária para dar um start químico no cérebro, para que ele aproveite melhor o tratamento psicoterapêutico; em outros momentos a pessoa só precisa de acolhimento e chorar suas dores e batalhas para depois entender aonde precisa mudar; em algumas situações a pessoa já sabe o que precisa mudar, mas não consegue devido às suas resistências inconscientes e precisa de outros instrumentos que facilitem o caminho.
A formação profissional de qualquer uma das três especialidades é importante, mas sua atualização constante e conhecimento de outras áreas (história, filosofia, literatura, administração, política, economia, etc) são ainda mais importantes porque tornam o conhecimento desse profissional mais “integral”, dotando-o com maior bagagem e ferramentas de apoio a esse paciente, ou seja, um profissional mais aberto para a enorme diversidade de pacientes, suas singularidades e problemas. Não adianta ser um psicólogo formado há anos se ele parou no tempo e não entende nada de neurociência ou medicamentos. Por outro lado, não adianta o psiquiatra saber tudo sobre medicamentos e não ter uma boa conversa para entender o problema do paciente, receitando qualquer medicação. O importante é ser um profissional que não perdeu seu lado humano, que trata o paciente com uma escuta amorosa, atento às necessidades dele, sem se colocar numa posição de sabe-tudo e aberto para apoiar e orientar da melhor forma. Como diz a conhecida frase de Jung “Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana”. Esse é o terapeuta ideal!
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